ICEPi recebe menção honrosa do Ministério da Saúde pela atuação do Observatório da Tuberculose
O Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi) recebeu, neste mês de junho, uma menção honrosa do Ministério da Saúde pela atuação do Observatório da Tuberculose no Espírito Santo (Observa TB). O projeto é desenvolvido em parceria com o Laboratório de Epidemiologia da Universidade Federal do Espírito Santo (LabEPI/Ufes).
De acordo com a Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias não Tuberculosas do Ministério da Saúde, “a iniciativa contribui para o fortalecimento de estratégias de proteção social voltadas às pessoas, famílias e comunidades afetadas pela tuberculose, em consonância com os esforços para sua eliminação como problema de saúde pública no Brasil”.
O laboratório, que faz parte do Programa de Qualificação das Redes de Vigilância em Saúde (PQRVS), participou da Chamada Pública para o mapeamento de experiências bem-sucedidas na proteção social às pessoas com tuberculose. O gerente de Inovação do instituto, Ricardo Costa, destacou que o reconhecimento da iniciativa reforça a relevância da temática para o Sistema Único de Saúde (SUS).
“A menção honrosa evidencia a importância de investir em estratégias inovadoras para o enfrentamento da tuberculose e das doenças determinadas socialmente, com ações voltadas para a prevenção, o acesso ao tratamento e a garantia de um cuidado cada vez mais qualificado e humanizado para a população. É mais um destaque nacional para a atuação do ICEPi”, afirmou o gerente de Inovação, Ricardo Costa.
“A grande virada de chave do projeto, e o que coloca o ICEPi na vanguarda do País, é a materialização da intersetorialidade entre o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS)”. Ela ainda complementou: “Nós conseguimos aproximar a Saúde da Assistência Social e isso significa entender que, para uma pessoa aderir ao tratamento e alcançar a cura, ela precisa de diagnóstico e medicamento gratuitos, sim, mas também precisa de segurança alimentar, de moradia, de acolhimento e de proteção social”, afirmou a coordenadora do Observa TB, Carolina Sales.
Ações do Observatório TB
O Observatório elaborou a primeira pós-graduação lato sensu do Brasil em Eliminação da Tuberculose e Doenças Determinadas Socialmente, que está próxima ao encerramento, com 31 alunos. A iniciativa surgiu a partir da preocupação com a alta incidência de doenças socialmente determinadas no Espírito Santo e da necessidade em capacitar os profissionais para oferecer uma assistência de qualidade à população, fortalecendo ações de precaução e enfrentamento dessas doenças.
Além disso, já foram realizadas diversas ações para a integração entre o SUS e o SUAS, contribuindo para que as pessoas com tuberculose tenham acesso à saúde e à proteção social, aumentando as taxas de cura e diminuindo a interrupção do tratamento, que é gratuito e ofertado pelo sistema de saúde.
Em 2025, foram registrados 1.916 casos e 113 óbitos por tuberculose no Espírito Santo. Já no ano de 2024, contabilizou-se 1.882 novos casos e 146 óbitos, segundo dados do e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS), o que reforça a urgência de fortalecer iniciativas de prevenção, diagnóstico e cuidado.
Saiba mais sobre a tuberculose
Uma doença infecciosa e transmissível, fortemente associada a determinantes sociais, a tuberculose segue como um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo, apesar de ter cura e contar com tratamento gratuito pelo SUS. É de transmissão aérea e se instala a partir da inalação de aerossóis oriundos das vias aéreas, durante a fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), que lançam no ar partículas em forma de aerossóis contendo bacilos. Calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, um indivíduo que tenha resultado positivo pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas.
Sintomas
Os sintomas da infecção por Tuberculose podem ser observados quando o indivíduo apresenta tosse há mais de três semanas, febre no fim do dia, suor noturno, falta de apetite, perda de peso, cansaço e dor no peito. Esses sinais são importantes indicadores, especialmente se combinados, pois a tuberculose pode progredir e se tornar grave sem o tratamento adequado.
Tratamento
A porta de entrada para o diagnóstico e o trato da doença é na Atenção Primária à Saúde (APS) e o cidadão pode se dirigir à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima à sua moradia para a realização dos primeiros atendimentos e direcionamento ao tratamento, de acordo com a especificidade de cada caso, sempre com acompanhamento contínuo para garantir a adesão ao tratamento e evitar a propagação da doença.
Vacinação com BCG
A vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin), ofertada no SUS, protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a tuberculose meníngea. É uma das vacinas mais antigas ainda em uso, implementada globalmente no século passado, especialmente em países com alta prevalência de tuberculose.
A tuberculose ocorre quando a bactéria se dissemina pela corrente sanguínea, afetando órgãos e tecidos. Os sintomas incluem febre persistente, fraqueza, perda de peso e sintomas relacionados aos órgãos afetados, como fígado, baço e pulmões. Essa forma pode evoluir rapidamente, levando à falência múltipla de órgãos e risco de vida.
A meningite tuberculosa, por outro lado, é uma infecção das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. A doença apresenta sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca e alterações neurológicas, incluindo convulsões e perda de consciência. Essa condição pode causar sequelas graves, como danos neurológicos permanentes, que incluem comprometimentos motores, perda de audição, déficit cognitivo e, em casos mais extremos, paralisia e morte.
A vacina está disponível nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e maternidades. Essa vacina deve ser dada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias.
Tratamento da Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) ou Tratamento preventivo da Tuberculose (TPT)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis e está em risco para desenvolver a doença. O tratamento para a chamada tuberculose latente (quando ainda não houve o desenvolvimento da doença) também está disponível no SUS.
É uma importante estratégia de prevenção para evitar o desenvolvimento da tuberculose ativa, especialmente nos contatos domiciliares, nas crianças e nos indivíduos com condições especiais, como imunossupressão pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
Informações à Imprensa:
Coordenadoria de Comunicação em Saúde – Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi)
Tatiana Ronchi / Mayra Scarpi / Cecília Ribeiro