Dia Mundial de Combate à Tuberculose: diagnóstico e tratamento passam pelo cuidado integral na Atenção Primária

24/03/2026 09h07

Uma doença infecciosa e transmissível, fortemente associada a determinantes sociais, a tuberculose segue como um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Nesta terça-feira (24), o Dia Mundial de Combate à Tuberculose reforça a importância de intensificar os esforços para o seu controle, especialmente por se tratar de uma doença que tem cura e conta com tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) exerce papel central na identificação, no cuidado e no acompanhamento dos casos. O fortalecimento do vínculo entre as equipes de saúde e a população adscrita, isto é, aquela população que está conectada à uma Unidade Básica de Saúde (UBS), é uma das principais estratégias para ampliar o acesso e garantir a continuidade do cuidado. É na APS, especialmente por meio das equipes de Saúde da Família, que deve ocorrer a detecção precoce da doença, com a busca ativa de Sintomáticos Respiratórios (SR). Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, mais rapidamente se interrompe a cadeia de transmissão.

Além disso, a APS desempenha papel fundamental no Tratamento Diretamente Observado (TDO), estratégia em que um profissional de saúde acompanha a ingestão dos medicamentos. Esse acompanhamento permite monitorar efeitos colaterais, esclarecer dúvidas e oferecer suporte contínuo ao paciente, contribuindo para a adesão e a redução do abandono do tratamento.

Alinhado a esse contexto, o Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi) investe na qualificação permanente de profissionais, por meio de ações de capacitação em tuberculose voltadas às áreas da saúde e da assistência social, com foco no fortalecimento dos territórios capixabas. Um exemplo é a oferta da Especialização em Eliminação da Tuberculose e Doenças Determinadas Socialmente, pioneira no País, atualmente em andamento nos polos de Vitória e São Mateus.

Da mesma forma, o Programa de Qualificação das Redes de Vigilância em Saúde (PQRVS), desenvolvido no âmbito do ICEPi, fortalece as ações de vigilância, prevenção e controle da tuberculose, por meio da qualificação de profissionais, do uso estratégico de dados e da integração entre diferentes áreas do sistema de saúde.

Em 2025, foram registrados 1.916 casos e 113 óbitos por tuberculose no Espírito Santo. Já no ano de 2024, contabilizou-se 1.882 novos casos e 146 óbitos, segundo dados do e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS), o que reforça a urgência de fortalecer as ações de prevenção, diagnóstico e cuidado.

“Nesse sentido, por meio do Observatório da Tuberculose, o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Espírito Santo estão cada vez mais integrados, através dos fluxogramas de intersetorialidade no tratamento da Tuberculose, para garantir que as pessoas recebam o tratamento adequado, alcancem a cura da doença e tenham acesso à proteção social”, afirmou a pesquisadora do Programa de Qualificação das Redes de Vigilância em Saúde (PQRVS) Carolina Sales.

A tuberculose também é considerada uma “doença social”, pois está diretamente relacionada a contextos de fragilidade e vulnerabilidade. Entre os principais desafios para o diagnóstico está o estigma e o preconceito. Muitas pessoas ainda associam a doença à extrema pobreza ou a estilos de vida marginalizados, o que pode gerar estigma para com o tratamento da condição. Com isso, indivíduos permanecem semanas com tosse sem procurar atendimento, por medo de discriminação no trabalho ou no ambiente familiar, o que atrasa o diagnóstico e contribui para a manutenção da cadeia de transmissão.

Coordenadoria de Comunicação em Saúde – Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi)

Mayra Scarpi / Cecília Ribeiro

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